Durante algum tempo, a paisagem mostrou-se marítima, até que apareceram as primeiras praias... Mais tarde, aldeias... Depois, a cidade escondeu-se por baixo de uma enorme nuvem que começámos a perfurar. Ela sente o pequeno-almoço a subir.
Estamos a aterrar, pensa...
Descendo as escadas de saída do avião, o chapéu voa-lhe da cabeça e Ela vai a correr apanhá-lo...
Londres.
Brrrr, o Verão inglês é como o Inverno português...
Coisas que também vejo em Portugal e que lá de cima são insignificantes, de perto parecem ser de outro planeta! O estilo de vida é tão diferente e interessante: como vão a beber o café pelo caminho para o trabalho e se juntam à noite para beber. E os vários estilos que se vêm na rua, tão diferentes. Em Portugal são todos tão limitados (muito limitados para a minha criatividade).
Ela sentia-se confortável, como que em Portugal, mas mais bonito.
30.07.09
Enquanto caminhava no parque Ela pensava:
Sempre falo bem inglês, ham!? Por enquanto tenho me desenrascado bem!
Já se tinha habituado tanto que pensava e falava com familiares portugueses em inglês. Já se tinha entranhado tanto no meio de ingleses que quando passava por pessoas conhecidas sorria e dizia: ok?, obtendo sempre uma resposta simpática: thank you!
Isto já estava tudo tão ordenado na sua cabeça que se esquecia do português... Nem sequer lhe vira à cabeça que não iria ficar lá para sempre, que voltaria para Portugal e que não podia passar por estrangeira.
02.08.09
A meio da noite Ela acordou e, na cama, virou-se de barriga para cima e olhou para tecto.
Ouvia as gotas da chuva a baterem na janela ao pé da sua cama. Levantou-se e afastou um bocado a cortina. Olhou a rua iluminada e as sombras a caminharem rápido nas paredes dos edifícios com os guarda-chuva abertos.
Um sorriso ia saindo lentamente... Até que se lembrou do sonho que a fizera acordar. Aí, o medo de se esquecer de Portugal e das amizades que fizera e que fará tirou rapidamente o invisível sorriso da sua cara.
Voltou a deitar-se na cama, de barriga para cima, a olhar para o tecto e assim ficou até amanhecer.
03.08.09
Coisas que são raras em Portugal põem-me interessada e curiosa.
O hábito de tirar os sapatos à entrada, as casas com 3 andares e um quintal onde se vêm crianças a jogar badminton e a saltar em trampolins, o ranger das escadas quando caminho sob elas, o chão e o tecto e as paredes tortas, o tipo de edifícios e a disposição da estrada, as 'nock nock jokes' - piadas inglesas das quais não me riu por não perceber - e..., pensa.
04.08.09
As horas passavam muito rápido quando Ela se punha a desenhar e não se apercebia do tempo a passar. Eram 15h00 quando ia almoçar com o sermão da mãe. Era quase meia-noite quando se ia deitar também com um sermão.
Tens comido pouco e muito tarde! Tens deitado tarde e, depois, no dia seguinte, dizes que estás cansada! Depois não digas que não te avisei!...
Assim eram os dias em que Ela não saía de casa.
07.08.09
Da pequena janela do avião Ela sentia-se vazia. Coisas insignificantes para os outros, faziam-na sentir-se melhor. A música do seu mp4, os M&M que comia, poder voar mais alto que as nuvens e olhá-las com orgulho pensando: tão baixas!, o vidro da janela a congelar...
Mas uma coisa intrigava-a: deixar Inglaterra e voltar para Portugal. Para Ela, Portugal fazia-a pensar em trabalho, então sem a sua Grande Amiga para contar tudo e com os seus pais de férias, pior... Inglaterra significava descanso da aborrecida rotina.
Enquanto se afundava nos seus pensamentos não dava atenção a mais nada. E só voltou a si quando ouviu os aplausos ao comandante, depois de aterrar.
11.08.09
amei íris. amei mesmo.
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