23 julho 2009

Insubstituível

Tantas coisas e coisinhas pequeninas espalhadas no meu quarto... As enormes caixas, também espalhadas no chão, estão cheias de outras coisas e coisinhas que já deveriam estar no lixo.
Ou não! Voilà: uma caixa com outras caixas vazias. Com esta descoberta feita, comecei a arrumar... E, no meio da arrumação, encontrei a caixinha que o meu avô me deu, onde a minha avó guardava as jóias dela. Nunca mais larguei nem desviei o olhar. Até que ouvi pingas baterem na janela, estava a chuviscar e fui tirar a roupa estendida... ainda com a caixa!...
Encostei-a na beira da janela e tirei a roupa... Acabei. Agarrei na caixinha, outra vez, ainda à janela... Do 5º andar, larguei-a sem querer e o vento levava-a para longe, mas parecia ir tão devagar... Pensei que se me atirasse ainda a conseguia apanhar a tempo.
O vento e a altura faziam-me tonturas, era perigoso manter-me à janela. Pus-me para dentro e pensei: já se deve ter espalhado toda no chão... Até que ouvi o estalar de uma queda. Voltei para a janela e uma multidão juntava-se em volta da caixa espalhada por todo lado...
Senti os olhos húmidos, mas conti-me... Prometi nunca mais chorar há algum tempo e tenho cumprido essa promessa, não era agora que ia quebrá-la.
Quando me apercebi muitos olhos olhavam para mim, lá de baixo, e eu, meio atrapalhada, tentei esconder-me dentro de casa. Quando voltei a olhar, ainda consegui ver alguns homens com uns pedaços da minha caixa na mão e outros homens a apanhar os outros pedaços... Que irão fazer? Não sei... Não interessa...
Quem me manda ir com uma coisa daquelas para a janela sabendo quão pouco desastrada sou? E agora sei quão insubstituível consegue ser uma caixinha...

4 comentários:

  1. desculpa. se soubesse antes talvez tivesse evitado teimar tanto para que comprasses a outra caixa gira para as tuas arrumações.

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  2. oh, não precisas de pedir desculpa x) como disseste, não sabias.

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