08 dezembro 2012

"Já não há paredes que me escondam das multidões, tecto que me proteja da chuva, ou chão que me suporte. Já não há luz que me guie. Já não há líder, não há ordem. Já não há despertador, nem sol da manhã que me acorde num novo dia."

... Quando tudo o que tiveste já chegou ao limite e tudo o que tens não é suficiente. Tudo o que tens nem sequer é material. É um dever de continuar a viver, com ou sem paredes, tecto ou chão. Ainda que o que tenhas seja seguro para o presente, mas não tanto para o futuro. Continuas a viver da melhor forma que conheces. E desconheces da noção de orgulho, vontade, esperança ou fé. Fartas-te do drama e da vontade de mudar o que não te pertence. Convences-te de que não te compete a ti só alertar as gentes do que já não faz sentido. Do que já chega. Porque tu sabes, tudo tem um limite. E, ao contrário do que as gentes dizem, o céu é o limite. Às vezes, até nos devemos manter pela terra e ir com calma, ir vivendo. Até ao limite. Sem me importar com as gentes. Ir vivendo sem tentar mudar nada. Sem dramas. Nunca será suficiente viver só com o que tens. Mas, quando o que viveste for suficiente, aí será o teu limite.

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