Os nervos invadem-me.
Distraio-me muito facilmente. Em vez de pintar as unhas de branco, pintei-as de vermelho e, quando tirei o verniz, já não sabia de que cor queria mesmo pintá-las. Já me aleijei três vezes na mesma parte do corpo, o pé esquerdo. A primeira vez pareceu normal. Tropecei e, ao colocar o pé no chão, bati com o dedo numa das pernas da cama, coisa que não seja rara de acontecer noutros dias. A segunda foi ao sair de casa. Abri a porta de saída do prédio e assustei-me com a passagem rápida de uma aranha (minúscula). Como reagi? Fechei a porta a uma velocidade enorme, mesmo que esta fosse pesada que se farta, e entalei o pé esquerdo. Nem sei que figuras fiz, mas não pronunciei um som de dor. À terceira vez ia a levantar-me da cadeira e (que novidade!) bati com a canela do pé num ferro que liga duas pernas do móvel.
Enfim, era um sonho.
Quando acordei (e não sei bem porque o fiz), aconteceu quase o mesmo, mas esqueci-me de pintar as unhas. Não entalei o pé na porta, mas vi uma aranha. Não tropecei ao andar, estava simplesmente sonolenta e se estivesse a caminhar sob areia, os meus pés, sendo arrastados no chão, formavam S, como o rastejar de uma cobra. E, sim, bati com o dedo na perna da cama (wow). Não desliguei a aparelhagem, mesmo depois de ter olhado para ela umas imensas vezes e ter pensado que a tinha de desligar, e, ao entrar no quarto às escuras, assustei-me com a sua luz vermelha, fazendo uma grande confusão cá em casa. Ao pôr perfume, não o direccionei para o sítio certo, foi para a mão em frente ao meu pescoço. Passei-me com o computador por estar mais lento que uma tartaruga em terra e quase parecia a minha querida prima a verificar se o teclado e o rato funcionavam quando o tinha desligado...
Para além disso, está tudo bem! Só sinto como se tivesse um vazio no peito que me dificulta a respiração e como se o coração tivesse descido por esse buraco até ao estômago. As minhas pernas tremem quando me levanto, quase não tenho forças para andar. Sinto vontade de rir por tudo e por nada, não de alegria. Tenho as costas tensas como rochas...!
Oh, well...
omg.
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