Era uma família sem laços. Uma casa cheia de sons, não com uma só música em altos berros, apreciada apenas por uma pessoa. Uma dinâmica entre as divergências de cinco pessoas que só se haviam juntado todas pela primeira vez ali, naquele momento.
Uma primeira pessoa muito expressiva, com os seus dilemas falados em voz suave e curiosa. A segunda apoiava a sua frustração com uma determinação de lutadora, como ela é. A terceira acalmava com factos óbvios que lhes escapavam. A quarta gozava, mas não num gozar de deitar a baixo. Era um diálogo... Um "triálogo"... Um "quadriálogo" com um extenso vocabulário de opiniões, conselhos e decisões. Com as palavras mencionadas saía uma expressividade corporal tão dançada e dramática à maneira de cada uma das quatro pessoas. Mas eram cinco. A quinta... A quinta? Ouvia sem falar; nem parecia estar presente. Escutava com atenção as palavras que não lhe eram estranhas, mas que não estava habituada a pronunciar ou a ouvir sequer. Era divertido e alegre e pensou para si própria: "Aproveita! Nem que seja por um dia só."
Falar parecia uma tarefa fácil naquela casa. Mas a prática, para quem nunca havia falado antes, continuava a ser difícil.
só faz é bem.
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