Tem sido sempre um grande desafio na vida desta família. E já chegou a um ponto que já nada pode ajudar a mudar-nos, por mais que uns ainda dêem tempo aos outros para o processo de mudança resultar. Pelo menos, eu já desisti. Apesar de ontem ter-me desviado do que havia prometido.
Sorrisos de piadas fracas e conversas sobre praticamente nada, que se baseavam em sons monótonos e monossilábicos, levaram-me a melhor. Até fomos jantar fora com ele! Acho que já nos entranhou um medo dele tamanho, durante estes anos todos, que nem dizer "adeus e fica bem" consigo. O que nós achamos é que, depois de muitos anos se terem passado desde a ditadura, ele conseguiu levantá-la de novo, embora com um número ínfimo de vítimas. Portanto, falar com alguém que ficou tão atrás no tempo é difícil.
Seguidamente, há outro caso de silêncio. Um silêncio diferente do da autoridade. Um "silêncio revelador do que é óbvio". Que me passa dum mundo que encravou no passado, para um mundo onde o com licença foi trocado por um olhar directo e persistente para a pessoa que queremos que se afaste; e o desculpa e o cuidado foram substituídos por é bem feita. Apesar de neste último caso se dizer efectivamente algo, parece que esconde uma mensagem muito "amigável" e "confortável", se bem que soe um bocado insensível e repreensivo. Para além disto, também se caracteriza por nos mandar calar quando queremos desabafar.
São novos tipos de comunicação que já começam a fazer parte de mim, por acaso. Ou nem muito por acaso, visto que convivo com mudos todos os dias, os expert desta linguagem.
isso está mesmo difícil por aí...
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