21 maio 2011

Outra vez

Já estou tão habituada a ver famílias de pais separados ou que não se dão bem... Já devia estar preparada para isto, certo? Quer dizer, já aconteceu uma vez e não chorei! Porque estou agora com indícios? Se calhar, porque antes ainda tinha esperanças de que ele voltasse... Se calhar, também por já ter acontecido... Uma coisa não se pode repetir muitas vezes, durante muito tempo! Portanto, se isto está a acontecer outra vez, deve ser definitivo.
Mas porque têm estas coisas que acontecer com tantas pessoas no Mundo? Porquê com os meus vizinhos, os meus tios, os meus avós, os meus colegas? Porquê com os meus pais? Porque não podemos safar-nos dessa tortura vinda dos que nos rodeiam que nos faz desacreditar no amor? Porquê?
A minha casa parece agora um pesadelo, ou um filme de terror; escura e com a falta de uma pessoa que, por momentos , não sei onde está, o que está a fazer... De repente, a energia e a alegria que me dominavam, desapareceram. Aquela vontade de dançar ao som da música, tornou-se inércia para o meu corpo.
E agora, a nossa mudança para Lisboa vai-se tornar mais radical que alguma vez imaginei. Lá, sem pai, sem estes colegas, sem esta casa, sem esta "calma"... Gosto de lhe chamar calma por ser o que me acompanha todos os dias, o que já estou habituada, o que conheço tanto como a palma da minha mão, a minha zona de conforto; apesar de me fazer algum mal...
Porque temos nós que perder sempre o que possuímos?

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