09 abril 2010

Crise

Era ainda meia-noite, quando acordei e me lembrei da noite passada. De todas as cores das luzes (azul, vermelho, branco, amarelo, rosa), das pessoas lá presentes... Quase ouvia todos os sons que se ouviam dentro do Pavilhão e sentia o sorriso enorme na minha cara.
Quando voltei à realidade, o meu quarto estava escuro e frio e eu, deitada na cama, nem ocupava metade dela. De repente, descontrolei-me e encolhi-me debaixo dos lençóis, cheia de lágrimas nos olhos. Na verdade estive esta semana toda sozinha em casa. O meu irmão foi para a universidade e os meus pais foram trabalhar. Pensei em desabafar com a minha amiga, mas não dava. Sentia o bater do coração por todo o corpo e o ar que inspirava parecia pairar no vazio e não sair.
Parámos de mandar mensagens e eu fui perdendo os sentidos aos poucos. Primeiro o tacto, depois a respiração e a audição, logo de seguida o paladar e, mais tarde, a visão. Já não sentia pulsação em lado nenhum, nem no peito. Não sentia nem uma alma perto de mim. As lágrimas pararam de escorrer no meu rosto, ou eu já não as sentia.
Não sei... Mas sei que não voltei a adormecer desde então.

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