07 janeiro 2010

1h à espera

Não tive a última aula da manhã e voltei logo para casa. Mas, ao aproximar-me da minha rua, apercebi-me que não tinha as chaves comigo e, mesmo com figas feitas pelos meus dedos cruzados, ninguém se encontrava em casa. Felizmente, apareceu uma vizinha que me abriu a porta do prédio e deixou-me entrar. Ainda me perguntou se me queria instalar em sua casa para estar mais confortável, mas não aceitei. Subi, então, até ao quinto andar e sentei-me no degrau das escada e pensei em ir a casa de uma amiga, mas seria um incómodo. Pensei em telefonar a alguém, mas esqueci-me do telemóvel em casa. Pensei em desenhar, mas na escuridão do prédio não havia condições. Podia ouvir música se tivesse o mp4, mas também o deixei em casa. Tentei aquecer-me, quando tinha entrado no prédio parecia estar quentinho, mas mantive-me lá dentro e comecei a arrefecer. Tanto os vizinhos passavam por ali, uns saindo, outros entrando, mas não me viram por estar tapada pelas paredes que rodeavam as escadas. E eu ouvia o elevador a subir e a descer, sempre com figas para que fosse alguém de minha casa a chegar, mas sem resultado. Ouvia a chegada das outras pessoas a suas casas como se tivessem dentro do meu ouvido. A discutir, a limpar, a cozinhar... E o cheiro começava a chegar até mim. Cheia de fome como eu estava, pensei em dormir uma cesta até alguém chegar e encostei a cabeça aos meus joelhos. Ouvi o elevador a ir-se embora sem dar muita atenção e achei que o som era relaxante e agradável para adormecer, quando, sem dar conta, chega o meu irmão ("a minha salvação").

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