14 dezembro 2009

Parabéns, Avó

Hoje o dia estava como tu te deves sentir... O frio era tanto que eu não sentia a água a passar-me pelas mãos. Na rua, o meu cachecol voava para a frente, assim como o meu cabelo. Na ida para a escola à tarde, vi uma folha alaranjada a soltar-se de uma árvore e, quando finalmente o fez, dançava pelo ar com o ritmo do vento e, na relva verde, juntou-se a outras folhas com cores quentes e aproximadas à dela.
Depois da aula, o meu lado musical saiu fora do normal e, com o entusiasmo, lembrei-me de músicas antigas no piano (sim, ainda toco piano, apesar de, na maior parte das vezes sair tudo mal). Durante as recordações, comecei a tocar os parabéns sem sequer me lembrar de que dia era, mesmo já me ter lembrado de manhã. Até a cantar a voz saia sem arranhões, como de costume. Achei que já tinha descansado suficiente depois de algum tempo de estudo e voltei para o meu quarto, onde acabei um desenho e quando ia a pôr a data os meus pais chegaram (deve ter sido a primeira vez em que dei importância a este dia, tenho de admitir). Com isto, avisei-os e fomos ao cemitério onde senti, pela primeira vez depois de teres morrido, que estavas presente.
Parabéns, avó, e que contes mais enquanto me lembrar de ti (sempre)!

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