Vou visitar a minha avó. Pelo menos tenho com que me entreter: o cão (labrador) que está tão velho como ela.
Chegámos... Ele encontra-se como sempre o vemos: num canto afastada dela, observando o que se passa à sua volta com um olhar inocente e húmido. Vou ter com ele, parece estar desconfiado e mantém-se quieto. Aproximo a mão até lhe chegar à cabeça. Dá um salto e começa e roçar-se às minhas calças.
- Não lhe dês muita confiança! - diz ela com uma voz roca e seca.
- Deixa estar! Gosto de brincar com ele! - respondo.
- Tu é que sabes! Depois vai fazer porcaria, como sempre!
Fazer porcaria? Essa é a brincadeira dele!
Ele cheira-me, salta-me para cima e tenta chegar à minha cara. Faço-lhe festinhas. A cauda dele abana de alegria. Agacho-me para ficar ao seu nível. Brincamos menos do que das outras vezes, está velho. Mas continua a roçar-se e a saltar-me para cima. Eu deixo-o encher a minha roupa preta de pó e pêlos. Passam-se horas e eu sento-me no chão e ele, cansado, deita-se. Tremo de frio e ele deita a cabeça nas minhas pernas cruzadas. Continuo a fazer-lhe festinhas e ele adormece. Passado um bocado.
- Vamos, Íris? Não largaste esse cão!
Gucci...
- Sim, mãe, vamos!
Ele acorda, eu levanto-me e sacudo a roupa.
- Que nojo! - diz a minha mãe.
- Pois, esse cão está porco!
O sotaque angolano da minha avó faz com que a frase soa mal.
Não o limpas! Preferes dar-te ao trabalho de ir ter com as tuas amigas do que de tratar do teu cão! Não sei para quê que ainda o tens!
Ele percebe que nos vamos embora e volta para o seu cantinho.
Até à próxima!
ow. sim, o zappa às vezes parece-se com ele :)
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