- Porque é que estás tão furiosa? - oiço a minha mãe gritar da cozinha - O piano não tem culpa!
Bato com força nas teclas que eram supostas ser tocadas naquela música. Tudo sai mal: acordes, ritmo, tudo! Era noite e eu pensei em acalmar-me com melodias agradáveis, mas em vez disso, as lindas músicas transformaram-se em músicas de funeral e de tragédia, com acordes maléficos e meio estragados junto com gritos vindos de mim, como gaivotas a anunciar tempestade.
«Que piano revoltado! Será pelas várias vezes que já o espanquei por não saber tocar? Vou desistir... É preferível ouvir músicas bem tocadas por outras pessoas do que estas a serem estragadas pelas minhas mãos» penso, enquanto desligo o piano rápido de raiva e bato com as minhas mãos nos sítios mais duros.
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